segunda-feira, 12 de março de 2018

MIGRANDO PARA A LITERATURA - DICAS ESCRITA

Esse artigo é para você que pensa em escrever seu primeiro livro, que é roteirista e deseja migrar para a literatura ou simplesmente aprecia a leitura e aperfeiçoamento contínuo na escrita.


LIVRO
FONTE: PUBLIC



Sobre Roteiro


Em novembro de 2012, após mais de um ano de produção, registrei na BN o roteiro 2118: Recomeço, um script catástrofe e ficção para longa metragem.

Por se tratar de um projeto de super produção, no patamar de filmes como "2012" ou "Armageddon" majoritariamente com estúdios estrangeiros, a dificuldade para torná-lo viável é enorme, sobretudo por estar em português e necessitar de uma revisão, considerando ainda que excede o limite padrão de 90 páginas (são 197!). Enviei vários e-mails com sinopse em inglês e link para grandes produtoras como Warner, Paramount etc, mas não obtive resposta.


Migrando para a literatura


Algumas pessoas já haviam sugerido a produção de um livro a muito tempo. No ano passado depois de uma longa reflexão, decidi migrar para a literatura. O roteiro está na gaveta a mais de cinco anos, pois trata-se de um produto técnico específico para um segmento.  Um livro, acredito, não ficaria um dia, pois é basicamente acessível a todos e não depende de investimento financeiro, caso você utilize de plataformas digitais.

Desde pequeno sempre gostei de redigir textos para redações - tenho facilidade e prazer nessa elaboração - e criar poemas etc, mas admito que quando se tratava de livros, minha leitura geralmente era compelida por necessidade curricular, dificilmente era voluntária. Até hoje leio facilmente artigos, reportagens, textos diversos. Quanto a livros em caráter acadêmico dedico-me bastante, devorando-os rapidamente, mas é uma tarefa encarada como sacrifício. Estou trabalhando nisso. 

Constatei por exemplo, que independente do número de páginas, se o tema abordado no livro for de meu interesse, há prazer na leitura - foi o caso do livro "Elvis e eu" de Priscilla Beaulieu Presley e Sandra Harmon, um deleite que durou apenas seis dias. Como disse, estou trabalhando nisso, condicionando o cérebro a  associar a longa leitura à sensação de recompensa.

Em setembro de 2017 iniciei o projeto. A previsão é finalizá-lo em junho deste  ano e registrá-lo até setembro.

Título do livro: "O fim e um recomeço - 2118". 
Número estimado de páginas: acima de 200. 
Produzido até o momento: 80 páginas.



LIVRO
FONTE: PX



Diferenças entre roteiro e livro


Um roteiro é um produto direcionado ao setor cinematográfico, teatral ou à teledramaturgia, com linguagem específica, seguindo um padrão determinado. 

Geralmente o  autor enumera em negrito o local da cena, determinando se esta é interna ou externa, se é dia ou noite. Depois, redige centralizado o nome do personagem, com eventual indicação ao diretor/ator sobre o movimento ou expressão/entonação entre parênteses. Em seguida, o diálogo, e abaixo, a ação. Veja o exemplo abaixo extraído do meu roteiro.





INT. QUARTO FELÌCIA/RESIDÊNCIA SANTANA/SÃO PAULO/BRASIL – 2:00 p.m. –- TARDE

Jéssica coloca Felícia no berço.


MARCOS
Mãe, não consigo falar com pai!

JÉSSICA
Calma, Marcos. Ele já deve estar chegando.

Escutamos um grande barulho. Dois homens disparam na porta principal e a derrubam. Michel e Manuel. Ambos têm 40 anos.

JÉSSICA
(Assustada.)

O que foi isso?!





Como você percebeu, não há travessões nos diálogos e não há nenhuma linguagem subjetiva ou poética do autor. Há descrição nua da ação, sem nenhum polimento. Tudo será transformado em imagem e som e a atuação do elenco e a visão empregada do diretor trará uma chuva diversa de emoções ao telespectador. 

No livro os caracteres devem instigar a imaginação do leitor. A linguagem escrita é o único recurso para isso. Não há apelo visual ou sonoro para envolver o leitor. Entretanto, há uma liberdade poética sem precedentes. E exatamente aí reside a complexidade e grandiosidade de um livro.

É preciso descrever em detalhes o local, preferencialmente a referência do horário, os trajes dos personagens, as ações destes, gestos fisionômicos, pensamentos. Decidir se a narração será em primeira pessoa, ou em terceira. Se o autor será onisciente, observador ou personagem etc.

Este meu livro em produção é baseado no roteiro, o que teoricamente parece facilitar tudo, afinal a história está pronta. Na prática, se você não alterar absolutamente nada da história, terá um enorme trabalho no desenvolvimento da linguagem, na descrição de cenários, personagens, emoções. No meu caso, que alterei diversos aspectos, o desafio é maior.

Mantive a essência da história, mas fiz modificações cruciais e sutis, pois percebi algumas falhas inclusive básicas - meu senso crítico amadureceu - e claro, tive de utilizar de estratégias da escrita para fisgar o leitor.

No roteiro, o personagem viaja até Marte a negócios, reencontra a ex-namorada numa casa noturna, eles reatam e resolvem fazer uma viagem espacial. Ao descobrirem sobre os asteroides que atingirão a Terra, passageiros se rebelam e alteram a rota da nave, que é parcialmente destruída. No acidente o personagem perde a amada. 

No livro achei mais tático um noivado na Terra entre os dois. Esta permanece aqui enquanto o personagem realiza sua viagem (não posso me alongar em revelar mais dados, ainda). Sem dúvida isso provocará maior emoção no leitor, mas ao mesmo tempo, significará uma série de alterações na linha do tempo. Em outras palavras, aproveitei aspectos principais da história, mas foi necessário criar numerosas cenas e ações que não existiam.



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Veja abaixo dois trechos inéditos do livro onde há descrição de local, referência do horário, até pensamento do personagem e noções da fala.



O D-car320 chega ao nobre apartamento de Felipe, localizado na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, e entra no estacionamento (...)

Em um segundo, Felipe para, olha a Lua cheia através da janela (...) Jennifer se preocupa.

— Você está bem?


— Sim — diz Felipe, num tom abafado pela descrença, pelo descrédito (...) Um antigo cenário claustrofóbico parece sufocá-lo outra vez.





Você percebe que o autor tem total liberdade na linguagem e utiliza de poesia a qualquer momento: "Um antigo cenário claustrofóbico parece sufocá-lo outra vez".  Ainda assim é obrigado a situar o leitor e descrever vários aspectos da cena para que seja possível a visualização mental desta. 

Se você apresenta detalhes sutis da fala, o leitor, sem esforço, conseguirá ouvir o personagem falar: "(...) diz Felipe, num tom abafado pela descrença, pelo descrédito".





Dicas para escritor


Todo escritor deve estar atento aos elementos básicos da narrativa, que são: enredo, personagens, narrador, espaço e tempo.

Mantenha o hábito da leitura, principalmente em livros que abordem temas similares ao seu. Estou praticando isso.

O cuidado na gramática é primordial.

Tenha atenção na pontuação dos diálogos.

Exemplos:


João sentou-se ao lado de Maria.
— Eu tenho que te dizer isso.


— Maria — disse João —, você é linda.


João sentou-se ao lado de Maria.
— Eu tenho que te dizer isso — disse.


— Não quero. — Ela se afastou. — Não suporto você.



— João. — Maria virou-se. — Não gosto de você.



Outra dica: para o travessão do diálogos você pressiona "ctrl", "Alt" mais a tecla menos do teclado numérico.

Estabeleça metas, faça projeções. Elabore um cronograma. Se possível escreva todo dia, mesmo pouco, sempre objetivando cumprir um prazo.

Se você não tem recursos para publicar seu livro junto a uma editora, recomendo plataformas para publicar um e-book como a Amazon. Após registro na BN farei esse procedimento.

Não tenha pressa em finalizar seu livro. Trata-se de um projeto que exige tempo, sobretudo, na finalização e revisão.

Recomendo um excelente canal no youtube com dicas para escritores: ficçomos.

Breve farei mais postagens sobre escrita.

Obrigado a todos.



Texto: Miguel Souto


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