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Contador Grátis Miguel Souto: REFLEXÃO EXISTENCIAL

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Radialista, nascido em Aracaju-Se, estudante de administração, amante da astronomia - vê na Ciência/Cosmologia o meio para a resposta da maioria das grandes questões. Compositor que também desenha, e além disso, escreve roteiros e cria outras coisas. Ateu, empático, pacifista. Apaixonado por rock, música eletrônica e filmes, sobretudo de ficção. Autodidata, obsecado por conhecimento.

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO EXISTENCIAL

O ser humano ou taxonomicamente falando, homo sapiens que você vê no reflexo do espelho todas as manhãs ao escovar os dentes, deixará de existir um dia. Pode ser hoje mesmo pela noite, amanhã, mas com certeza, tal fato biológico ocorrerá até 2140, considerando seu nascimento até o ano atual, 2016.



MIRROR
MIGUEL JR ARTS

Esse seu rosto com imperfeições peculiares, cabelos desgrenhados e sem maquiagem pela manhã, onde é possível visualizar as pequenas rugas, marcas de expressão, espinhas, cravos, fios de cabelo braco, caspas, oleosidade e até ácaros vivendo dentro de suas sobrancelhas e cílios, um dia irá se decompor, seguindo o natural, necessário e tão belo e igualmente 'carrasco-sem-pudor' ciclo de vida.

Só de pensar nas numerosas ramificações de linhas cruzadas no meio e tempo e eventualidades naturais circunstanciais incríveis pra que você pudesse existir e estivesse aqui e agora, ficamos admirados, maravilhados. E só de pensar no fato de vivermos uma única vez - na minha percepção ateísta -, num segundo geológico, e desaparecermos para sempre, ficamos desesperadamente estarrecidos, sem palavras, em estado de choque. 

Vou citar alguns exemplos simples e científicos das eventualidades naturais e linhas que se cruzaram pra que você existisse:

* Se Theia, protoplaneta do tamanho de Marte, há 4,5 bilhões de anos, tivesse se chocado com a Terra num ângulo maior, o planeta seria exterminado, e consequentemente, a vida como a conhecemos jamais teria a oportunidade de surgir e evoluir.

* Se no Cretáceo, o asteroide que dizimou os dinossauros - que dominaram magistralmente o planeta por 165 milhões de anos - tivesse sua rota alterada por alguns quilômetros, nossos ancestrais dos ancestrais de mamíferos sequer sairiam das tocas e evoluiriam. E mesmo que a hipótese do asteroide seja cientificamente refutada, fatores naturais como vulcanismos exerceram o mesmo papel.

* Se seu bisavô, que em 1943, supostamente lutou na Segunda Guerra Mundial, não tivesse voltado vivo, não teria conhecido sua bisavó numa festa de forró num salão no interior do estado; Logo seu pai e você não existiriam. Ou, se o pai do seu bisavô, que supostamente era nordestino, não tivesse viajado para São Paulo, em 1935, fugindo da seca, em busca de melhores condições, motivado pela grande produção cafeeira, ele não teria conhecido sua bisavó numa associação paulistana. Logo, seu avô, sua mãe e você não estariam aqui.

* Se seu pai não tivesse supostamente aceitado aquele emprego de auxiliar de serviços gerais em 1982, por julgá-lo simples e exaustivo, e não tivesse feito aquele curso técnico seis meses depois, não teria sido promovido a encarregado e não teria conhecido sua mãe dentro do RH numa sexta-feira, e ambos não teriam relações sexuais duas semanas depois. Logo, você não existiria.

* Se no dia 17 de junho de 2014 você supostamente não tivesse esquecido a chave do carro sobre o centro da sala e atrasado em quinze segundos sua ida ao trabalho, ao passar na Avenida Heraldo Rocha, precisamente em frente a residência de número 541, às 07 horas, 55 minutos e 20 segundos, uma bala perdida, decorrente de um tiroteio na outra esquina, o atingiria no crânio. Logo, hoje, você não estaria olhando-se no espelho.

Esses exemplos demonstram claramente a complexidade de extraordinários eventos humanos ou naturais que permitiram você existir. Era ínfima a probabilidade, mas ocorreu. Demonstram também o quanto você pode mudar sua trajetória, ou "destino", pois não há nada escrito. Suas ações tem consequências, e se não houver atitudes suas, as consequências ocorrerão pelo simples fato de você ocupar lugar no espaço, sendo alvo circunstancial: não há evidência alguma de influência de divindades nisso, apenas naturais e humanas.

Simultaneamente isso me faz refletir sobre o quanto é doloroso despedir-se dessa única vida rara, pois, na minha opinião, não há volta, não há nada após essa existência. 

Não houve planejamento, projeção, simplesmente acaso e evolução. Não há claro objetivo existencial, exceto em se tratando da engrenagem chamada espécie. Quanto a sua peça e a minha peça, buscamos objetivos ao longo da tênue caminhada. 

Simplesmente existo, respiro e estou consciente, assim como você. Sei que estive inconsciente por um longo período de tempo (desde o Big Bang), que a raça humana existia sem mim, e agora tenho a concepção de tempo, espaço e validade biológica própria, sei que os humanos continuarão suas vidas após meu fim e sei que voltarei ao estado inicial, ou inconsciente, e é esse exatamente o problema. 

Minha consciência está ativa e se recusa a aceitar o eventual desligamento. Ela sequer suporta a ideia de que se tornará inconsciente e o pior: para sempre! 

Eu não tinha consciência antes de 1985 - ano de meu nascimento - e não terei novamente em... 2109! Isso, claro se eu chegar aos 123 anos, algo raro, digno do Guinness. 

É esse o imensurável dissabor de impotência que sinto esporadicamente ao acordar nas madrugadas ou pela manhã. E é por causa desse dissabor que a maioria das pessoas ignoram tal assunto ou desesperadamente também agarram-se a algumas ideias religiosas confortáveis.

Do ponto de vista clínico, a fobia é caracterizada pelo transtorno de ansiedade, medo persistente e não racionalizado de algo. Convém salientar que o fato de possuir receio a algo não configura uma patologia ou distúrbio, desde que tal ação não prejudique aspectos relevantes da vida do sujeito. 

Por essa razão descrita acima, o autor que fala com você não sofre de tanatofobia, embora efetivamente tenha receio da morte. Ainda torna-se necessário registrar aqui que o mesmo, assim como todos os ateus, não teme o que ocorre após a morte, pois não há nada, além da decomposição e compartilha dos átomos com o ambiente e Universo. E mesmo portador do receio de como ocorrerá, isso pouco o incomoda perante o maior medo, o de "deixar de ser", como bem classificado pelo filósofo Jacques Choron.

Meu objetivo ao abordar esse tema é promover a reflexão sobre a vida, sua fragilidade, efemeridade. Em tese, pode tratar-se de mais um monólogo aparentemente pessimista de um ser hesitante, mas é um monólogo realista de um ser hesitante. Ser esse que ao acompanhar ocasionalmente um cortejo fúnebre, faz questão de entrar no cemitério e observar nomes e datas, imaginando o que aqueles outros seres fizeram durante tal curto período de vida, pequenos passos do ponteiro geológico, e refletindo sobre o que está fazendo com sua própria.

Criogenia, acredito, é nossa única alternativa promissora para driblar a morte. Não é garantida, considerando que o processo, embora necessário para a conservação, afeta sensivelmente a estrutura das células.

Com o domínio da nanotecnologia aumentam nossas chances de prolongar a existência, mas o problema, como já abordado, é o fim. Há outras possibilidades revolucionárias no âmbito da ficção, que espero um dia termos acesso, porém impossíveis na atualidade.

Sabemos que há consequências hediondas se atingirmos a imortalidade, como a superpopulação mundial, e não podemos jamais ser egocêntricos, e sim, pensarmos enquanto espécie, entretanto, devo admitir: mesmo supostamente distante, não consigo aceitar o fim eterno. Eu não consigo aceitar o fim eterno.


Imagem e Texto: Miguel Jr Arts


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