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Contador Grátis Miguel Souto: SENSE8 - CRÍTICA

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Radialista, nascido em Aracaju-Se, estudante de administração, amante da astronomia - vê na Ciência/Cosmologia o meio para a resposta da maioria das grandes questões. Compositor que também desenha, e além disso, escreve roteiros e cria outras coisas. Ateu, empático, pacifista. Apaixonado por rock, música eletrônica e filmes, sobretudo de ficção. Autodidata, obsecado por conhecimento.

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sexta-feira, 10 de julho de 2015

SENSE8 - CRÍTICA

Sense8
Fonte: SolisMagazine / NetFlix


Sinopse:

Oito estranhos, de diferentes partes do mundo, descobrem estar mental e emocionalmente ligados um ao outro, sendo capazes de se comunicar, sentir e adquirir conhecimento, linguagem e habilidades mútuas. Enfrentando perigos e dilemas compartilhados, alguns ainda são perseguidos por uma corporação que tenta matá-los.



Dados técnicos:

A série é escrita e produzida por Andy e Lana Wachowski (Matrix) e por J. Michael Straczynski. Lançada pela Netflix no dia 05 de junho de 2015, a primeira temporada contém 12 episódios.

Locais de locação e gravações: Chicago (EUA), San Francisco (EUA), Londres (Inglaterra), Berlim (Alemanha), Seul (Coréia do Sul), Reykjavík (Islândia), Cidade do México (México), Nairobi (Quênia) e Mumbai (Índia).

Independente do local, a língua predominante na série é o inglês.



Dados adicionais - personagens e atores:

* Capheus Van Damme (ator Aml Ameen) é um carismático motorista de van em Nairobi, que tenta ganhar dinheiro para comprar remédios para sua mãe, que sofre de AIDS.

* Sun Bak (atriz Doona Bae) é a filha de um poderoso empresário de Seul e luta kickboxing.

* Nomi Marks (atriz Jamie Clayton) é uma hacktivist e trans lésbica que vive em San Francisco.

* Kala Dandekar (atriz Tina Desai) é uma farmacêutica e devota Hindu em Mumbai, que deve se casar com um homem que ela não ama.

* Riley Blue (atriz Tuppence Middleton) é uma DJ islandesa que mora em Londres e possui um complicado passado.

* Wolfgang Bogdanow (ator Max Riemelt) é um serralheiro de Berlim e arrombador, que tem questões não resolvidas com seu falecido pai e participa do crime organizado.

* Lito Rodriguez (ator Miguel Ángel Silvestreé um gay não assumido espanhol, ator de telenovelas e filmes.

* Will Gorski (ator Brian J. Smith) é um policial de Chicago assombrado por um assassinato não solucionado de sua infância.



Crítica:

Antes, gostaria de salientar que em todas as minhas críticas há leves spoilers, pois trata-se de opinião e impressão pessoal que compartilho para pessoas que supostamente as assistiram. Se assistiu Sense8 ou outras séries nesse blog retratadas, recomendo que continue a leitura.

Assim que assisti ao trailer, tive a impressão de que, mesmo com drama, assistiria a uma série repleta de efeitos visuais sobre super humanos, algo similar a Heroes. Foi apenas impressão e desejo pre-concebido.
A série é muito dramática com leve porção de ação e de ficção no prato. A ficção é quase indistinguível ao paladar mais exigente.

O foco principal de toda narrativa é a relação entre os oito personagens, seus dilemas distintos e perigos coletivos. Há tempo de sobra para o telespectador conhecer cada um dos personagens, sua cultura, história e acompanhá-los perante desafios e grandes perigos. As subtramas são bem estruturadas, fator essencial para o ator demonstrar seu potencial e conquistar a simpatia do público, o que ocorre na maioria dos casos.

Quais são os personagens mais interessantes? Depende do ponto de vista. No meu, o galã mexicano gay, a empresária coreana e o policial. Por que? O primeiro causa uma enorme empatia com seu dilema entre continuar a carreira, assumir o homossexualismo e ajudar uma leal amiga. Há cenas cômicas, inusitadas e dramáticas protagonizadas por ele. E sim, há até eventual ação. Seu sentimento pelo companheiro transborda na tela - torcemos para ambos estarem sempre juntos e/ou voltarem. 

Os dois últimos são as peças chaves da ação. Sim, quando eles surgem, a depender da situação, lutam! Quando os outros precisam de ajuda braçal, são esses dois que sobem no palco ou entram em cena.

Há o personagem Will Gorski (o arrombador de cofre) que demonstra também suas habilidades em pontuais cenas.

Os outros personagens são legais também, porém ficam restritos ao drama. Puramente. A blogueira transexual, por exemplo, demonstra reais casos de preconceitos e problemas do gênero (há vários aspectos de experiência pessoal da Lana Wachowski - que era Larry durante filmagens de Matrix -, muito bem retratados aqui). As cenas de beijos, carícias e sexo entre as duas são belas, embora poderiam ser mais provocativas e apimentadas.

O motorista de ônibus africano é a própria representação da desigualdade social, pobreza e rejeição social, mas que ainda assim mantêm a esperança, determinação e a alegria sempre ao seu lado. A Deejay sofre com seu passado sombrio, e se envolve com um dos sensates, mesmo correndo alto risco de ser pega. A indiana sofre com a opressão cultural e familiar, pois não quer (e nem deve) casar-se sem amor e etc.



Destaques na atuação: 

Ator Aml Ameen, que vive o motorista Capheus Van Damme. Ele transmite fielmente a dor de uma classe desfavorecida do País Quênia (e de outros como o Brasil!) e a esperança contida ou não nos olhos, além da determinação de vencer oponentes e obstáculos.

Ator Miguel Ángel Silvestre, que vive Lito Rodriguez. Demonstra entrega total ao papel de gay, transmitindo sofrimento nos dilemas sociais, carga de receios profissionais e preconceitos e turbulências na relação.

Ator Lwanda Jawar, que interpreta Githu, líder da "superpotência" da gangue de Nairobi. Embora não apareça com frequência (e sua existência não dure muito rss) é imponente, seguro e impõe real perigo e consequente temor a todos.

Ator Peter King Mwania que vive Silas Kabaka, um grande mafioso que oferece trabalho pra Capheus. Transmite revolta, agressividade, ódio, mas ao mesmo tempo, sua relação com a filha transmite compaixão, amor e respeito. É o cara do mal, que ainda assim nos importamos com ele.

Ator KK ou KK fer með hlutverk föður Rileys que vive Gunnar, pianista pai de Riley. Ele é carismático, transmite sinceridade, compaxião, desvelo e amor. Embora tenha poucas participações, nestas, lança simpatia num só olhar.



Destaque sensual: 

Atriz Eréndira Ibarra ou a personagem Daniela, amiga incondicional de Lito: sexy, ousada, cômica, com belíssimo corpo, e super e deliciosamente provocativa. 



Pontos positivos da série:

Boa edição, considerando sobretudo as distâncias geográficas. O objetivo é tornar os dois ambientes um único, quando dois sensates estão em telepatia ou unidos, e os editores quase sempre conseguem. Boa representação dos preconceitos e problemas sofridos pelos homossexuais. Há boas lutas envolvendo a coreana e o policial. 

Eventualmente há boas cenas de ação envolvendo o arrombador de cofres. Há uma cena em que ele explode um carro com capangas do tio dele que ficou excepcional, incluindo movimento de câmera em guindaste ou cabo durante a explosão - maravilhosa! 

O realismo na relação homoafetiva dos personagens Lito Rodriguez e Hernando (este último interpretado por Alfonso Herrera) é belo, apreciável e contagiante. Vale ressaltar que há no mínimo, duas cenas em que Lito aplica diversos golpes contra oponentes. Quando ele ajuda Wolfgang na luta contra os capangas e quando ele luta e derrota Joaquim (Raúl Méndez), o namorado violento da bela Daniela Velasquez. Claro, que nessa última ele teve a ajuda de um sensate.

As atuações entre as lésbicas e os gays são muito convincentes.



Pontos negativos da série:

Falta de mais ação. São pouquíssimas as cenas de lutas, artes marciais, perseguições, tiroteio. Falta de mais sexo ou de sexo que justifique a classificação 18 anos. Sim, por ser uma série comprada e vinculada pelo Netflix, um serviço independente de streaming, e ter recomendação para maiores de idade, por que tanta censura? Fiquei descontente com a falta de ousadia nas cenas de sexo. É possível ver de longe cabelos pubianos e seios, e até pênis flácidos, mas nada além disso. Poderiam mostrar, sem receios, as genitálias durante o sexo - há uma genitália durante um parto, mas essa cena já tem caráter distinto.

A vida dos personagens é bem desenvolvida, mas a razão da existência da Corporação que os persegue e a origem de tais "poderes", bem como histórico dos antigos sensates não são bem explicados. É provável que seja estratégia dos roteiristas para a próxima temporada, mas há muitas lacunas na justificativa da história e em alguns personagens. 

Vou citar dois exemplos: Jonas Maliki, dramatizado pelo ator Naveen Andrews só existe para dar conselhos a alguns dos sensates, explicando o que pode ocorrer, e está quase inconsciente, preso, e pouco sabemos sobre ele além disso. Outro personagem mal explicado é o Sr. Sussuros, feito pelo ator Terrence Mann. De onde ele veio? Por que persegue os sensates? Qual histórico dele e a Angélica (que morre no inicio da série)? Falando nela, a Angélica, ou a atriz Daryl Hannah  , de onde ela é? Quais poderes tem para conseguir antes da morte conectar as 8 pessoas? Já não são dois exemplos, são três, não é? 

São enormes lacunas na narrativa estrutural de alguns personagens e na história.

Assisti todos os episódios da primeira temporada e sinceramente, como comentei acima, não conheço histórico e motivações de alguns dos personagens.

Há ainda uma pequena dúvida: como se dá a telepatia ou projeção do sensate no outro lugar? Quando dois conversam, sabemos que para as pessoas ao redor não há ninguém. Até aí tudo bem. Mais e quando um sensate "apodera-se do corpo" e luta no lugar de outro que não tem habilidades (como quando Sun Bak ajuda Capheus Van Damme a derrotar maravilhosamente uma gangue)? Ela entra no corpo dele, apodera-se da mente ou está mesmo ali?

É uma série de drama, portanto tem muitos diálogos e pouco "movimento". Após os primeiros episódios, a encarei como uma novela, claro, sem tantas amarras de padronização como as nacionais e com elementos ficcionais e de adrenalina, mas como uma novela.



Resumo/Conclusão:

Sense8 é uma boa série dramática, tem boas atuações, apresenta temas insignes que instigam o senso crítico como homossexualismo, preconceito, imposição religiosa, desigualdade social etc. Ao mesmo tempo, é uma série com pouca ação e ficção propriamente dita. Quase não há efeitos visuais.

Embora tenha enraizada a temática transcendência - algo bem íntimo para os irmãos Wachowski, que produziram o filme Cloud Atlas,  abordando a fundo o assunto, o foco da série é predominantemente o dilema romântico, social, amistoso e tudo que estas relações implicam. Os poderes ou habilidades dos sensates não são tão explorados, mas o contexto onde estes vivem. E como mencionei, não há poderes fantásticos que exigiriam efeitos visuais, mas ocorre apenas projeção de habilidades reais e palpáveis, como artes marciais, em situações rotineiras ou de risco vividas por outros sensates.

É uma série com altíssimo potencial no campo da ficção, da ação e da sensualidade, erotismo, mas não é explorada satisfatoriamente nessas áreas. É realista dentro do drama, palpável, verossímil.

Recomendo Sense8 para quem deseja entreter-se e emocionar-se com personalidades fortes, decisões difíceis, problemas sociais e de senso comum, mas não pra quem adora ficção e ação desenfreada. Mesmo assim,vale a pena conferir. 

Encare Sense8 como uma novela. Mais dinâmica e com elementos adicionais e prerrogativa fantasiosa, mas como uma novela.

Texto e Pesquisa:
Miguel Jr Arts

2 comentários:

  1. Concordo com tudo o que você escreveu sobre esta incrível série. Espero mesmo que a série seja renovada para a segunda temporada. Entretanto, depois de ter vistos os episódios todos em menos de uma semana, fiquei com curiosidade de saber se um dia será possível usar o cérebro humano da mesma forma que as personagens de Sense8 fazem. E sim, talvez seja possível! Gostaria de compartilhar com você um post que escrevi sobre isso: http://www.estrategiadigital.pt/cerebro/

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    1. Olá, Edu Aranha. Agradeço pelo comentário. Interessante sua questão. Não sei, mas acredito que será possível sim usar o cérebro da mesma forma, desde que haja dispositivos virtuais que os conectem. Há, entrei no site de vocês e li o bom artigo. Comentei usando o Google+, o compartilhando. Não consegui comentar no próprio site. Sucesso pra vcs. Abs

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