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Contador Grátis Miguel Souto: COSMOS - A SPACETIME ODYSSEY - CRÍTICA

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Radialista, nascido em Aracaju-Se, estudante de administração, amante da astronomia - vê na Ciência/Cosmologia o meio para a resposta da maioria das grandes questões. Compositor que também desenha, e além disso, escreve roteiros e cria outras coisas. Ateu, empático, pacifista. Apaixonado por rock, música eletrônica e filmes, sobretudo de ficção. Autodidata, obsecado por conhecimento.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

COSMOS - A SPACETIME ODYSSEY - CRÍTICA



Sinopse:

Cosmos, nova versão da série de 1980 de Carl Sagan, explora as leis da natureza e revela nossa posição no espaço e no tempo.


Dados técnicos:

Série veiculada originalmente nos canais Fox e Nat Geo, que estreou em março de 2014. Seus criadores são: Ann Druyan e Steven Soter.
País de origem: Estados Unidos.
Série apresentada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson.
Produzida por: Cosmos Studios e Fuzzy Door Productions.


Crítica:

"O cosmos é tudo o que existe, existiu e existirá. Venha comigo." - assim, na voz serena, firme, e envolvente do grande cientista e astrônomo Carl Sagan, mostrando ainda o mesmo segurando um dente-de-leão, começa o primeiro episódio de Cosmos - A Spacetime Odyssey (Uma Odisséia do Espaço-Tempo). Depois disso, Neil deGrasse Tyson comenta rapidamente sobre o trabalho de Carl Sagan, e convida-nos para uma nova viagem.

Caso queira curtir o super trailer oficial legendado, clique aqui, você será direcionado para o canal do amigo Eduardo Oliveira.

Vamos começar nossa crítica do inicio - sim: não há tanta redundância nisso, pois há histórias que começam do fim.  

Sobre a vinheta de abertura:

Adorei a "fusão" das montanhas e o olho humano, bem como a qualidade dos gráficos e a trilha sonora. Não gostei da nave: embora futurista, metálica, superfície hiper reflexiva, com ampla cabine panorâmica, não se vê claramente um sistema de propulsão, e ela viaja, na maior parte do tempo, na vertical, o mais estranho possível. A melhor parte e super criativa da vinheta de abertura é quando o dente-de-leão (Taraxacum officinale) é lançado ao ar, e surge naturalmente a forma e a Sonda Voyager (lançada em 5 de setembro de 1977) - uma brilhante e sublime junção.

Sobre a escolha de Neil deGrasse Tyson: 

Ele é astrofísico, nascido em Manhattan, Nova Yorque, EUA, em 5 de outubro de 1958. Considerando que é uma reformulação ou uma nova versão da série Cosmos de 1980, realizada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan, e apresentada pelo mesmo cientista, buscaram também um especialista, formado na área. Poderiam escolher um ator, como por exemplo, o carismático Sam Neil, que em 2001 apresentou uma série de documentários chamada BBC Space. Entretanto, como já enfatizei, seria necessário um cientista, não um ator. Falando em Sam Neil, não consigo desvincular sua imagem do paleontólogo Alan Grant, de Jurassic Park, assim como Christopher Reeve ficou imortalizado no papel de Superman - desculpe-me a evasão ao tema, foi proposital, pois não resisti.

E por que Neil deGrasse Tyson? Como respondido no site Hype Science, pelos seus méritos como cientista e divulgador da ciência. Na minha opinião, poderiam ter escolhido o físico teórico estadunidense Michio Kaku que participou de vários documentários, e apresentou muito bem a Série: Física do Impossível. Motivo? Por demonstrar, acredito, maior carisma - vale lembrar que isso é estritamente subjetivo, sendo que Neil deGrasse Tyson realiza um bom trabalho. 

Poderiam ainda ter escolhido o simpático astrofísico estadunidense Alexei Filippenko, também pelo mesmo motivo.

Mais que Kaku e Filippenko, a escolha do astrônomo estadunidense Geoffrey Marcy seria perfeita, devido ao seu currículo na astronomia, simpatia e força de expressão. Desde 1995, ele vem descobrindo numerosos exoplanetas

Apesar do enorme esforço, ele não foi o primeiro a descobrir um planeta fora do Sistema Solar. Essa façanha foi realizada pelos astrônomos suíços Didier Queloz e Michael Mayor em 1995, quando divulgaram o gigante gasoso 51 Pegasi b, um enorme e intrigante marco na astronomia. Intrigante porque esse planeta do tamanho de Júpiter tem sua translação completa em 4 dias, e está a 8 milhões de Km da Estrela-mãe, ardendo a cerca de 1.000 °C! Os cientistas Alan Boss, Geoffrey Marcy e Paul Butler confirmaram a descoberta. Vale lembrar que Marcy faz diversas participações na ótima Série O Universo do History Channel.

Ratificando: mesmo com minhas escolhas pessoais quanto ao apresentador reveladas aqui, Neil deGrasse Tyson  faz um belíssimo trabalho na série, transmitindo seriedade, leveza e, às vezes, um pouquinho de humor.

Sobre o Episódio 01: De pé na Via Láctea:

Neil deGrasse Tyson fala rapidamente e "passa" com sua nave sobre a Terra, a Lua, Mercúrio, Vênus, Marte (nesse último, utilizaram uma foto real da superfície em preto e branco de uma sonda, inserindo a nave - adorei). Comenta palidamente sobre o Cinturão de asteroides, Júpiter, sua enorme mancha vermelha, visualmente convincente. Belo trabalho em CG. Daí vemos a nave viajar até Saturno, Urano, Netuno e Plutão (planeta-anão). 

Tyson se impressiona com a Voyager 1 passando por sua nave, uma bela atuação. Destaque para o disco com gravações humanas na lateral da nave. Lembrando que a Voyager 1 já passou da heliopausa ou ao meio interestelar.

Na segunda parte, ele fala sobre a Nuvem de Oort e busca por vida em exoplanetas ou planetas interestelares. Comenta sobre a visão infravermelha que nos permite enxergar além do vazio espacial. Ele lembra que moramos a 30 mil anos-luz do centro da Galáxia Via Láctea, num de seus "braços". Depois, mostra Andrômeda, grupo local, Superaglomerado de Virgem. Por fim vemos a rede de cem bilhões de Galáxias, "última linha no nosso endereço cósmico" ou Universo observável. Percebe-se que a intenção do roteirista é a de nos situarmos no espaço sideral, refletindo sobre nosso pequenino tamanho e as possibilidades lá fora. 

Uma ótima reflexão científica é quando Tyson comenta sobre o limite observável no espaço-tempo: "...Não houve tempo suficiente nos 13,8 bilhões de anos do Universo para a luz deles nos alcançar". Há menções sobre o Multiverso.

Tyson comenta sobre o ano de 1599 onde todos achavam que a Terra era o centro do Universo, e que Copérnico pensava diferente. Relata sobre um homem que passou a virada de 1600, preso, pois, claro, tinha uma ideia que interferia nos interesses da imponente e ditadora Igreja Católica. Esse foi o corajoso Giordano Bruno, 

Infelizmente apenas por propôr que existia inúmeros planetas e estrelas, Bruno foi preso por oito anos e covardemente assassinado (numa fogueira) pela Igreja Católica, que lamentavelmente durante a Inquisição eliminou/extirpou da Terra, mentes brilhantes e produtivas, impossibilitando o avanço científico da humanidade, portanto, atrasando a ciência e a intelectualidade. Ironicamente Bruno era padre, e pensou que "pregando" um universo infinito feito por um "Deus infinito" seria aceito. Ocorreu exatamente o contrário, ao extremo.

Aí surgem as animações em 2D com elementos de 3D. As animações ficaram boas, estilizadas, próximas ao real, repletas de efeitos de sombra e luz, perspectiva, primeiro plano com desfoque etc. (até tenho a impressão que utilizaram e abusaram do flash), entretanto, achei excessivas: há vários minutos seguidos de animações, dando um tom, mesmo que involuntária e indiretamente, infantil. Caso fosse o diretor, optaria por atores reais e efeitos visuais em 3D - o que acarretaria em triplicação do orçamento, óbvio.

Na terceira parte do episódio, tendo as ruas da Itália (País de Bruno) como cenário, Tyson comenta que não havia separação entre Igreja e Estado, e claro, os considerados 'hereges' tinham um fim trágico, como ocorreu com ele. 

A melhor parte da animação, é quando o personagem Bruno está preso, triste, fecha os olhos, e se liberta das correntes, voando pelo espaço - pura poesia. Claro, a representação de sua morte cruel, instiga nossa ira/indignação contra tal entidade religiosa - quanta maldade o extremismo de uma crença pode fazer. Tyson lembra que dez anos após a morte de Bruno, Galileu confirmou o heliocentrismo.

Nessa parte do documentário é abordado o aspecto "tempo". Surge a compactação, na quarta parte, do calendário do tempo, uma reformulação da ideia de Sagan: reduzir os 13,8 bilhões de anos, em 1 ano, facilitando e muito, a digestão do assunto.

Nessa escala de um ano, cada mês representa, mais ou menos 1 bilhão de anos, cada dia, 40 milhões de anos.

Gostei do Tyson com óculos, frente ao primeiro de janeiro ou Big Bang.  Os efeitos visuais ficaram ótimos. "O brilho de ondas de rádio que restaram da explosão" - é um dos argumentos expostos pelo apresentador que apoia essa teoria, que sou adepto.

Alguns dados científicos interessantes no documentário: em 10 de janeiro no calendário cósmico, surgiram as primeiras estrelas. Nossa Galáxia se formou a cerca de 11 bilhões de anos (15 de março). Nosso Sol nasce em 31 de agosto, há 4,5 bilhões de anos atrás. A vida começou, mais ou menos, em 21 de setembro, possivelmente no mar, há cerca de 3,5 bilhões de anos (para maiores detalhes sobre Eras Geológicas sugiro o site Sua pesquisa). 

Em 17 de dezembro houve uma explosão de diversidade de vida. Tyson comenta sobre o Tiktaalik, um dos primeiros peixes de barbatanas com músculos a se arriscarem na Terra. Florestas, Dinossauros, insetos, todos evoluíram na última semana de dezembro.

Há 65,5 milhões de anos um asteroide extermina os dinossauros. No documentário, sabiamente, essa informação é comprimida em um calendário, e fica exatamente assim: "São 6 e 24 da manhã no dia 30 de dezembro...". Melhor, impossível. Há, a atuação de Tyson inclinando-se um pouco e tapando os ouvidos durante o impacto? Bela, só que dessa vez, quase com tom humorístico.

Sim, o documentário nos faz refletir o quão pequeno somos, mas próximo ao final, e sobretudo na última parte, nos demonstra quão pouco tempo de existência a raça humana têm. A história documentada é curtíssima: "23 horas, 59 minutos e 46 segundos, ocupando os últimos 14 segundos".

"São 21:45 do dia 30 de dezembro, ou 3,5 milhões de anos atrás. Nossos ancestrais se levantaram e andaram. Por cerca de 40 mil gerações andamos como nômades. Há 30 mil anos atrás começamos a pintar coisas em cavernas" - são informações que devem ser memorizadas, para percebermos a imensidão do tempo e nosso lugar nesses míseros segundos.

Surge ainda uma animação de figuras rupestres e um dado curioso: a astronomia está presente desde os primórdios, afinal tínhamos referências em estrelas e marcávamos o tempo de plantar e colher, por exemplo.

Mais dados que destaco no documentário: "há 10 mil anos cultivamos terras, domesticamos animais. Faltando 14 segundos para a meia-noite ou há cerca de 6 mil anos, inventamos a escrita. Moisés nasceu 7 segundos atrás, Buda, a 6 segundos, Jesus, a 5 segundos, Maomé, a três. Só no último segundo usamos a ciência..." Vale lembrar que foi com Galileu, em 1610 (bem representado em animação nessa parte), que descobrimos novos mundos, compreendendo, por método de observação, o mecanismo do Universo.

No final desse primeiro episódio, como não poderia deixar de ser, mais uma homenagem ao grande Sagan: "Carl Sagan guiou a primeira viagem de 'Cosmos' uma geração atrás... Ele previu lagos de metano em Titã, primeiro a entender que mudanças sazonais em Marte tinham a ver com poeira transportada pelo vento, foi pioneiro na busca por vida fora da Terra, fez parte de várias missões da NASA..."

A melhor parte desse episódio, a mais surpreendente, é quando Tyson mostra o calendário de Carl Sagan de 1975, revelando que numa tarde de sábado, ambos se conheceram em Nova York. Sagan o convidou para ir até sua casa - na época Tyson tinha 17 anos. 

Sagan deu de presente para Tyson um livro e escreveu: "Para Neil, um futuro astrônomo. Carl." No final do dia, Sagan ainda o levou a estação, deu seu número e disse que poderia ligar ou mesmo dormir em sua casa - que grande e generoso gesto - emocionante! 

"A ciência é uma cooperação de gerações". Sagan incentivou não só Tyson, como muitos outros. Sua memória sempre existirá nas nossas.

Ótimo episódio, e posso garantir, ótima série - já conferi todos os episódios da primeira temporada. Série super didática, com bons gráficos e boa performance de Tyson, que como disse, não é ator (embora atue), é especialista em cosmologia. 

Essa é a crítica do primeiro episódio. Mesmo se não fizer crítica de outros, uma perspectiva geral e posicionamento pessoal foram passados da série. Pretendo ainda fazer uma crítica global da Série original de 1980.

Fica registrado aqui minha pequena homenagem à Carl Sagan (In Memorian), Ann Druyan, Steven Soter, Neil deGrasse Tyson e todos envolvidos no projeto da reformulação da série. Parabéns!

Conclusão panorâmica da Série:

 COSMOS - A SPACETIME ODYSSEY apresenta grandes momentos na ciência, revelando o poder da observação, dos métodos científicos, expandindo nossa visão do tempo e do espaço. O vasto estudo da cosmologia é bem diluído, e de fácil entendimento, pois essa série tem o propósito de despertar o censo crítico de qualquer telespectador, e o melhor, homenageando o criador da Série original, Carl Sagan. Recomendo. Diria, sem receio: série obrigatória para os amantes da astronomia! 

Imagem:
Divulgação Net

Crítica e pesquisa:
Miguel Jr Arts

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